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O MEU LIVRO


Novos Contos da Montanha – MIGUEL TORGA

Miguel Torga é o pseudónimo adoptado pelo médico Adolfo Correia da Rocha para assinar a sua vasta obra literária. Nasceu a 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho de Anta – Vila Real. Depois de tirar as primeiras letras, entra em 1918, no Seminário de Lamego, para fazer os estudos do liceu, mas como não se adaptou ao colégio, saiu depois de um ano e partiu para o Brasil, com apenas 13 anos, para trabalhar na fazenda de café de um tio. Regressa a Portugal, em 1925 e, em 1928, matricula-se na Universidade de Coimbra, em Medicina, fazendo a sua estreia no mundo literário com o livro de poemas “Ansiedade”. Durante os anos da Universidade, liga-se ao grupo da Revista Presença. Como era uma pessoa de temperamento muito independente, por volta de 1930 afasta-se do grupo, por considerar haver imposição de limites à liberdade de criar. No ano de 1939, casa-se com a belga Andrée Crabbé, que leccionava na Universidade de Lisboa. Algum tampo depois, a sua esposa é proibida de leccionar, por motivos políticos. Torga chegou a ter alguns dos seus livros apreendidos, porque até antes do “25 de Abril de 1974” manifestou-se abertamente contra a ditadura de Salazar. Faleceu em Coimbra, no dia 17 de Janeiro de 1995.
É o autor da obra “Novos Contos da Montanha” que vos sugiro como proposta de leitura, contendo a mesma 22 pequenos contos, dos quais destaco “Fronteira”, ”Natal” e “Alma-Grande”, onde sobressai a luta árdua e difícil de homens que lutam pela perpetuação da sua existência.
Miguel Torga retrata nesta obra as crenças, as superstições, a religião e a dureza de uma realidade distante de nós, de pessoas que lutam pela sobrevivência num ambiente de guerra, utilizando o imaginário e o sonho como forma de continuarem e para acreditarem na esperança de um dia melhor. Miguel Torga provem de Trás-os-Montes e conhece muito bem a realidade contada na história, pois nasceu, cresceu com ela, teve a mesma linguagem que as suas personagens e partilhou das suas memórias e sentimentos.
Esta obra pretende ser uma celebração do não esquecimento dos mais desfavorecidos da sociedade, nomeadamente os pastores, os pedintes, os criminosos, as mulheres perdidas, onde o amor, a festa, o vinho, a violência e a morte se misturam, de forma a alterar percursos, a destruir sonhos e a traçar novos rumos.
A arte de narrar deste autor anda muito próxima da fala das personagens. Às vezes, o erudito escritor parece fazer-se substituir por um falador rústico, tipicamente serrano, e não faltam as metáforas, as prosopopeias, a oralidade e a simplicidade que transmitem ao seu estilo harmonia e graça.

O Professor, António Loureiro

LIVRO DO MÊS DE ABRIL: "O 25 DE ABRIL CONTADO ÀS CRIANÇAS... E AOS OUTROS"


O 25 de Abril Contado às Crianças... e aos Outros é uma obra de José Jorge Letria.

José Jorge Letria nasceu em 1951 em Cascais. Frequentou os cursos de História e de Direito e é pós-graduado em Jornalismo Internacional.
Iniciou-se no jornalismo no “Diário de Lisboa”, colaborando no suplemento «A Mosca» e trabalhou depois em outros jornais.
Como cantor, gravou o seu primeiro disco em 1968, «História de José sem Esperança». Colaborou posteriormente com José Mário Branco e Zeca Afonso entre outros.

José Jorge Letria publicou dezenas de livros em diversas áreas: poesia — Mágoas Territoriais (1973), Cantos de Revolução (1975), Coração em Armas (1977), Navegador Solitário (1980), O Desencantador de Serpentes (1984), Íntimo das Ondas (1988), Cesário: Instantes da Fala (1989), Corso e Partilha (1989), Percurso do Método (1990), A Sombra do Rei-Lua (1990), Os Oficiantes da Luz (1991), A Bagagem Imaterial do Voo (1991), Oriente da Mágoa: Pranto de Luís Vaz (1992), Actas da Desordem do Dia (1993), O Fantasma da Obra (1993, recolha antológica com reflexos frequentes da experiência revolucionária de 1974); aforismos — Zen Ocidental (1998); ficção — Uma Noite Fez-se Abril (1999); obras de literatura infantil — Histórias do Arco-Íris (1981), Pelo Fio de um Sonho (Prémio Gulbenkian para o Melhor Texto de Literatura para Crianças), O 25 de Abril Contado às Crianças... e aos Outros (1999, com ilustrações de João Abel Manta) e Capitães de Abril (1999); peças de teatro — Das Tripas Coração (1981), Papão e o Sonho (1985) e Azul de Delft (1993) e A Noite de Anões, 1999; de entre os ensaios destacam-se A Canção Política em Portugal (1978) e Os Amotinados do Vento (1993). Em 2000, publica Um Amor Português o seu primeiro romance, inspirado nas cartas de dois amantes da corte de D. João V, seguiu-se Beatles Contados aos Jovens (2001) e Os Mares Interiores (2001)
O reconhecimento pela sua obra é notória tendo sido distinguido com importantes prémios literários nacionais e internacionais. É um dos mais destacados nomes da literatura infanto-juvenil.

Neste domínio apresentamos “O 25 de Abril Contado às Crianças... e aos Outros”.
José Jorge Letria publicou esta obra aquando das comemorações dos vinte e cinco anos da Revolução dos Cravos.
“O 25 de Abril Contado às Crianças... e aos Outros” e composto por oito capítulos - intitulados «I - Para que não esqueças Abril», «II - Era uma vez uma guerra», «III - As palavras proibidas», «IV – O Sol para além das grades», «V – Este parte aquele parte», «VI – “Lá vamos cantando e rindo”», «VII – O Poder e a forma como funcionava» e «VIII – Um dia que abalou a história».
Esta obra apresenta um carácter essencialmente formativo destinada a um público com conhecimentos restritos do 25 de Abril de 1974 permitindo uma viagem ao passado da Guerra Colonial, da Censura, da PIDE / DGS, do governo ditatorial, dos presos políticos, da emigração e do dia da «viragem na nossa História do século XX».


«Eu tenho a certeza que em casa ou na escola já te falaram do 25 de Abril, mas não sei o que te disseram sobre o seu significado e a sua importância para a vida de Portugal. É por isso que vou contar-te esta história. Uma história pessoal como todas as histórias, mas que envolve muito do que é a minha memória sobre esse dia e sobre tudo aquilo a que ele veio pôr fim.»
José Jorge Letria


Não te esqueças!
Ler um livro é … encontrar um amigo.

A Professora, Ana Paula Caiado

LIVRO DO MÊS DE MARÇO: "ROMANCE DA RAPOSA"

“ROMANCE DA RAPOSA” de Aquilino Ribeiro

Tive que o ler quando andava no sétimo ano!
Gostei tanto dele que ainda hoje é um dos meus livros preferidos.
Gosto ainda dele porque tem duas das coisas que mais adoro: bicharada e humor.
Ainda por cima, foi escrito por alguém que é considerado por muitos um dos maiores prosadores portugueses de todos os tempos. Foi também com muito prazer que, durante o meu curso, tive que estudar em pormenor a sua obra.

Este livro tem uma escrita muito rica, que, por vezes, não é muito fácil, ou melhor, exige algum esforço da parte do leitor, mas que considero extremamente cativante. Conta, de uma forma extremamente engraçada, as aventuras e desventuras da vida de uma raposa, de nome “Salta-Pocinhas”, muitas delas tiradas de anedotas e outras histórias da tradição popular.

Há já uns anos, a RTP transmitiu uma série de desenhos animados que teve grande sucesso entre moçarada e gente graúda, sobre “ As Aventuras da Salta-Pocinhas”, baseada exactamente na acção deste livro. Tenho pena que nunca mais a tenham repetido e andem a repetir vezes sem conta coisas que não valem um pataco furado.

Aconselho vivamente a sua leitura. Mas uma leitura atenta e vagarosa, de forma a apreciar quer a excelente escrita quer, acima de tudo, a enorme piada que a maior parte das peripécias têm.
Foram já diversos os alunos que o leram a conselho meu e nenhum me disse que não tinha valido a pena. Pelo contrário…

O Professor,
Francisco Magalhães

LIVRO DO MÊS DE FEVEREIRO: "ÍNDIGO - O MISTÉRIO DO RAPAZ DE LUZ"

Porque todos gostamos das histórias de “Era uma vez…”, porque nos fazem ser crianças novamente, nos fazem despertar o nosso imaginário infantil, sugiro um livro de encantar: “Índigo” de Inês de Barros Baptista.

Depois de um incêndio destruir a sua aldeia, Índigo parte com a mãe em busca de um novo lugar para viverem os dois. Quando finalmente o encontram, os habitantes estranham a pele azulada deste menino que sabe falar a língua dos animais e das fadas, imitar o canto dos pássaros e subir aos ramos mais altos das árvores. A verdade é que a sua presença vai mudar profundamente cada um dos habitantes da aldeia. Índigo é confrontado com desafios inimagináveis.
Índigo é um menino alegre e bondoso que tem a capacidade de devolver a felicidade às pessoas, de acordar sentimentos puros, belos, carregados de magia. O mundo está cheio e magia, mas há muitas almas que dormem que ainda não sabem das magias que acontecem no mundo.

É uma história que nos desperta carinho, amizade, partilha, amor, alegria, … Com uma escrita suave e cativante leva-nos para um mundo de ternura e de afecto.

Leiam, escutem a mensagem que o livro transmite e ENCANTEM-SE!

A Professora,
Carla Pimentel

O LIVRO DO MÊS DE JANEIRO: "FERNÃO CAPELO GAIVOTA"

O livro que eu sugiro é um “must have” em qualquer biblioteca, uma vez que o considero muito importante pelas lições de vida que contém. O seu autor é Richard Bach e intitula-se “Fernão Capelo Gaivota”.
Este simples livro apresenta-nos a história de uma gaivota diferente, de seu nome Fernão Capelo Gaivota, para a qual o mais importante na vida não era comer, mas sim voar. Vencendo os limites que a sua própria natureza lhe impunha, voava cada vez mais alto e mais alto. Com as suas experiências descobriu que “podemos sair da ignorância, podemos ser criaturas perfeitas, inteligentes e hábeis.”
Ousar ser diferente e assumi-lo perante todos, constitui uma das mensagens que este livro nos transmite. Quantas vezes ao longo da nossa vida hesitamos, vacilamos perante aquilo que sentimos, só porque é diferente do que nos é “imposto” pela “mainstream”, isto é, a corrente dominante, aquilo que a maioria pensa, diz e faz como absolutamente certo, excluindo outras formas (diferentes) de pensar. Querer mais, ultrapassar os nossos próprios limites, assumirmo-nos como somos é um desafio que exige coragem e por vezes, muito sofrimento.
Fernão Capelo Gaivota, o herói do livro, por ser diferente, por querer voar mais alto, foi votado ao isolamento, foi castigado pelo Bando. O Bando na vida é a corrente dominante, que nos diz como fazer, agir e até pensar! Pois … só que os pensamentos são livres! Ninguém tem o direito de nos impedir de chegar mais além, “…vê mais longe a gaivota que voa mais alto.”
Recordo-me que quando frequentava a Escola Primária e após cada ida ao circo, a minha querida professora pedia-nos que elaborássemos uma “redacção” sobre o que tínhamos assistido. Redacção após redacção, a pergunta era sempre a mesma: “Como é que podes dizer que não gostas de palhaços?! Toda a gente gosta!” Porém, era isso mesmo que eu sentia e recusava-me a escrever o que todos diziam, só porque era a opinião dominante e com a qual eu não concordava. Como se já não bastasse o momento perturbador da pergunta, os meus colegas ainda me olhavam como se eu fosse de Marte, tal qual como alguns anos mais tarde, quando dizia que para me divertir não era preciso beber. Diferente? Sim. Qual é o problema?
Fernão sofreu com a incompreensão do seu Bando, com o isolamento, ele que só queria partilhar as suas descobertas, para que todos pudessem deixar de depender dos barcos de pesca e finalmente, conseguissem viver melhor. Mais uma vez se impõe a reflexão, quem é diferente é, vezes sem conta, incompreendido, afastado, injustiçado, constituindo outra das importantes mensagens do livro.
Vós, queridos alunos, deveis combater essa maneira de pensar, podemos aprender tanto com quem tem vivências diferentes das nossas! Podemo-nos enriquecer, tal como Fernão, o nosso objectivo deve ser atingir a perfeição, tudo o que fazemos deverá ser feito com dedicação e amor, até as mais simples tarefas do quotidiano. Não incluir no nosso grupo de amigos alguém, só porque se veste de outra forma, só porque tem uma perspectiva diferente de ver o Mundo, é limitarmo-nos, é não queremos alargar os nossos horizontes e é ser tremendamente injusto.

Este livro possui mensagens tão belas! Através dele viajamos na teia das relações humanas, tão simples e tão complexas, que vamos estabelecendo ao longo da nossa vida. Não me lembro bem quando o li pela primeira vez, só sei que o releio sempre que preciso de alento para continuar … e constitui sempre um prazer renovado, pelo que me ensinou. Ensinou-me a defender aquilo em que acreditava e sei também que para além de mim, haverá mais pessoas que não gostam de palhaços! Fernão Capelo Gaivota também descobriu que existiam outras gaivotas como ele, que afinal não estava sozinho.
“Ultrapassado o espaço, tudo o que nos resta é Aqui. Ultrapassado o tempo, tudo o que nos resta é Agora.” Por isso, estudem, apliquem-se, vivam, sejam fiéis a vós próprios, aos vossos pensamentos e valores e sejam muito felizes!
E, já agora … leiam o livro!
A Professora 
Berta Rosa

O LIVRO DO MÊS DE DEZEMBRO: "O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA"

O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa é o primeiro e mais conhecido livro dos sete volumes que compõem As Crónicas de Nárnia, escritos entre 1950 e 1956 por C. S. Lewis (1898-1963), autor e escritor britânico que escreveu inúmeros livros para adultos, mas cujo nome se imortalizou com As Crónicas de Nárnia, um dos maiores clássicos juvenis.
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Lion, the Witch and the Wardrobe) é um romance fantasioso que nos conta a história de quatro irmãos: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, durante a Segunda Guerra Mundial e a aventura que vão viver ao serem obrigados a sair de Londres e a hospedarem-se na casa do professor Digory Kirke.
Enquanto exploravam a mansão do professor solteirão, Lúcia, a mais nova, a curiosa, descobre um guarda-roupa que é uma entrada para o mundo místico de Nárnia, uma terra escravizada por uma terrível feiticeira, a Bruxa branca.
Lúcia tem dificuldades em convencer os irmãos da existência de Nárnia, mas também eles acabam por entrar nesse mundo e com a ajuda do leão Aslam derrotam a Feiticeira Branca que submeteu Nárnia a um longo Inverno, durante 100 anos.
Os quatro irmãos tornam-se depois reis e rainhas desse mundo, sendo Pedro coroado Grande Rei de Nárnia. O reinado deles, que durou vários anos, acaba quando, numa caçada, encontraram o caminho de volta para o nosso mundo.
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é uma história divertida e emocionante que nos transmite uma mensagem sobre a família, a confiança, a fé e a tradicional luta do bem contra o mal.
Não te esqueças!
Ler um livro é … encontrar um amigo.

A Professora 
Ana Paula Caiado